Nota fiscal de importação: o passo a passo completo
Importar mercadoria é uma operação fiscal mais complexa que a venda nacional. Envolve DI (Declaração de Importação), II (Imposto de Importação), IPI na entrada, e ICMS com cálculo específico. Este guia explica o passo a passo da nota fiscal de importação.
O que é a nota fiscal de importação
Quando você importa mercadoria do exterior, a operação fiscal tem duas etapas:
- Desembaraço aduaneiro — a mercadoria chega ao Brasil, passa pela Receita Federal, paga os impostos de importação (II, IPI, ICMS) e é liberada
- Nota fiscal de entrada — você emite uma NF-e de entrada para registrar a mercadoria no seu estoque e na contabilidade
A NF-e de importação é uma nota de entrada (tpNF = 0) com CFOP de importação (3.xxx) e informações da DI.
Impostos envolvidos na importação
| Imposto | O que é | Quem recolhe |
|---|---|---|
| II (Imposto de Importação) | Imposto sobre a entrada de mercadoria estrangeira | Receita Federal |
| IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) | Imposto sobre produtos industrializados | Receita Federal |
| ICMS | Imposto estadual sobre a operação | SEFAZ (recolhido na importação) |
| PIS-Importação | Contribuição sobre importação | Receita Federal |
| COFINS-Importação | Contribuição sobre importação | Receita Federal |
Os impostos são recolhidos no momento do desembaraço, via DI (Declaração de Importação). A NF-e de entrada registra a operação, mas os impostos já foram pagos.
CFOPs de importação
| CFOP | Descrição |
|---|---|
| 3.101 | Compra para comercialização, importação do exterior |
| 3.102 | Compra para uso, importação do exterior |
| 3.201 | Devolução de venda, importação do exterior |
| 3.551 | Compra para industrialização, importação do exterior |
Os CFOPs de importação começam sempre com 3 (importação). Não use CFOP 1.xxx ou 2.xxx — esses são para operações internas e interestaduais.
Como emitir a NF-e de importação
Passo 1: Tenha a DI em mãos
A Declaração de Importação (DI) é o documento que a Receita Federal emite após o desembaraço. Ela contém:
- Número da DI
- Data do desembaraço
- Local de desembaraço (alfândega)
- Valor da mercadoria (em moeda estrangeira e em reais)
- Impostos pagos (II, IPI, ICMS, PIS, COFINS)
- Dados do fornecedor estrangeiro
Sem a DI, você não pode emitir a NF-e de importação — os campos da DI são obrigatórios.
Passo 2: Configure o fornecedor estrangeiro
O destinatário da NF-e de importação é o fornecedor estrangeiro. Na NF-e:
- CNPJ/CPF: não informado (fornecedor estrangeiro não tem)
- idEstrangeiro: informe o ID do fornecedor (ex: tax ID, registration number)
- UF:
EX(exterior) - País: código do país (ex: 1620 para EUA, 1058 para Brasil — mas na importação, o destinatário é o exterior)
- Endereço: endereço do fornecedor no exterior
Passo 3: Adicione a mercadoria
- NCM: o NCM da mercadoria (igual ao usado na DI)
- CFOP: 3.101 (comercialização) ou 3.102 (uso)
- Valor: o valor em reais (convertido na data do desembaraço)
- Quantidade: a quantidade importada
Passo 4: Informe a DI
No item da NF-e, no grupo de importação (DI), informe:
- Número da DI
- Data de registro da DI
- Local de desembaraço (código da alfândega)
- UF do desembaraço
- Data do desembaraço
- Código do exportador (id do fornecedor estrangeiro)
- Adições: cada adição da DI (pode ter múltiplas adições se a DI tiver vários produtos)
Passo 5: Informe os impostos
- II: valor do Imposto de Importação (pago na DI)
- IPI: valor do IPI (pago na DI, mas pode gerar crédito)
- ICMS: calculado sobre a base que inclui II, IPI, frete, etc.
- PIS-Importação e COFINS-Importação: valores pagos na DI
Passo 6: Emita
A nota é de entrada (tpNF = 0), com destinatário no exterior (UF = EX). A SEFAZ valida os campos da DI e os impostos.
Base de cálculo do ICMS na importação
A base de cálculo do ICMS na importação é diferente da operação normal. Ela inclui:
Base ICMS = Valor da mercadoria + II + IPI + PIS-Importação + COFINS-Importação + Frete + Seguro + Outras despesas
Ou seja, todos os impostos de importação entram na base do ICMS. Isso faz o ICMS da importação ser mais alto que o de uma compra nacional.
Exemplo
- Valor da mercadoria: R$ 10.000
- II (10%): R$ 1.000
- IPI (5%): R$ 500
- PIS-Importação (2,1%): R$ 210
- COFINS-Importação (9,65%): R$ 965
- Frete: R$ 300
Base ICMS = 10.000 + 1.000 + 500 + 210 + 965 + 300 = R$ 12.975
ICMS (18%) = R$ 2.335,50
Importação por conta e ordem de terceiros
Existe uma modalidade onde você importa por conta de outra empresa (a mercadoria vai direto para o cliente, não para você). Nesse caso:
- Você emite NF-e de importação com seu CNPJ como emitente e o cliente como destinatário
- CFOP: 3.101 (compra por conta e ordem de terceiros)
- A mercadoria vai direto do exterior para o cliente (você não recebe fisicamente)
Erros comuns na importação
1. Esquecer de incluir II na base do ICMS
O II entra na base do ICMS. Se você não incluir, o ICMS fica menor do que deveria — inconsistência fiscal.
2. Usar CFOP de compra nacional
CFOP 1.102 (compra interna) em importação é rejeitado pela SEFAZ. Use sempre 3.101 ou 3.102.
3. Não informar a DI
Sem a DI, a SEFAZ rejeita a nota (rejeição 525 — CFOP de importação sem dados da DI). A DI é obrigatória.
Conclusão
A nota fiscal de importação é mais complexa que a nacional — envolve DI, II, IPI, ICMS com base ampliada, e destinatário no exterior. Mas com a DI em mãos e um sistema que conhece as regras, a emissão é um processo estruturado.
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Equipe NF-Lion
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